Corporações Liderança Profissional

Das Métricas e Metas às Pessoas

Você sabe a diferença entre simpatia e empatia?

Pois bem.

Você trabalha há três anos na empresa e sempre atingiu sua cota. Está no seu quarto ano e muito longe de bater sua meta de vendas.

Chega um dia no escritório e seu gestor chama você para conversar.

Cenário 1

“O que está acontecendo meu amigo? Mais um quarter sem resultados? Desse jeito não dá pra segurar meu caro! Em qualquer empresa por aí, mais de 3 quarters sem bater a cota e a pessoa está na rua! Você precisa chegar junto! Eu estou fazendo o possível para que não demitam você, mas resultado é resultado! Me ajude a ajudar você! Eu acredito em você e sei que você pode chegar lá!”

Em sua representação interna, esse gestor pensa: “putz, desse jeito vou me ferrar. Sem esse resultado eu também não vou bater minha meta. Preciso arrumar um jeito de por a culpa em alguém e me proteger”.

Cenário 2

“O que está acontecendo meu amigo? Como eu posso ajudar você? Por favor, compartilhe comigo suas dificuldades e eu vou ajudar você. Nós somos uma família, caminhamos juntos e precisamos uns dos outros para ter resultados interessantes. Compartilhe comigo suas dificuldades e eu farei tudo que está ao meu alcance para que você chegue lá. O meu papel é dar a você as condições para que você brilhe!”

Em sua representação interna, esse gestor pensa: “ele(a) deve estar enfrentando algum problema ou deve estar desmotivado. Farei o que eu estiver ao meu alcance para entender as suas necessidades e fornecer a ele o que for necessário para que supere as dificuldades”.

Perceberam a diferença?

No primeiro cenário, seu chefe pode (dependendo do tom de voz), ter passado a impressão de estar sendo simpático, mas dificilmente foi empático.

No segundo cenário, houve envolvimento, simpatia e empatia. O seu desafio é meu desafio.

Simpatia é algo comum e fácil atualmente, mas há uma ausência fatal de empatia, algo difícil de simular ou falsificar, porque não há como se importar com o próximo e não ligar para sua situação. Importar-se é a palavra. Líderes de verdade são fundamentais aqui, pois eles são a tradução da política da empresa.

E aí meu caro, quando empatia passa a fazer parte do seu dia-a-dia, algo fantástico acontece: confiança.

Não importa a empresa da qual você faz parte. Não importa quão complexos são os papéis, processos e métodos empregados. Não importa quão vertical é sua hierarquia: TODA empresa, TODA corporação é feita por pessoas.

Trabalhamos para pessoas e, por mais engessada que seja uma empresa, nos relacionamos com elas como fruto mais íntimo do nosso trabalho. É para essas pessoas que trabalhamos e temos, como necessidade básica de qualquer ser humano, que nos sentir protegidos no ambiente de trabalho.

Ao nos sentirmos compatíveis, protegidos e seguros para desempenharmos nossos papéis profissionais, sabendo que podemos contar uns com os outros, a magia acontece.

Quando menciono sentir-se seguro, não refiro-me à permissividade ou à irresponsabilidade; me refiro a um ambiente de trabalho onde a confiança é o elemento principal; onde as relações interpessoais são reais, empáticas e onde o ser humano é colocado em primeiro lugar.

É aí que resultados extraordinários nascem. E o motivo é simples.

Para que eles aconteçam, é necessário dar passos na fé, na confiança de fazer coisas ímpares, nunca tentadas antes. Experimentar e fazer o novo, coisas que só serão possíveis se a pessoa que estiver do seu lado segurar seu braço para que você não caia.

Em um ambiente corporativo onde a desconfiança reina ou onde as pessoas não tem relações positivas, os profissionais nunca trabalharão em equipe e gastarão boa parte do tempo se protegendo do ambiente e de seus colegas. Nesse lugar, tipicamente trabalha-se para atingir metas apenas e não para ter realização pessoal ou profissional.

Teste simples:

Você trabalha em um local onde precisa guardar evidências para…

  • Provar que fez direito?
  • Impedir que um colega passe a perna em você?

Você trabalha em uma empresa onde demissões em massa ocorrem para que os números batam no fim do ano fiscal ao custo de head counts?

Em um lugar onde resultados extraordinários acontecem, o atingimento das metas é consequência do trabalho e não o contrário. Em um lugar assim, existe realização como ser humano, e não apenas dinheiro no fim do mês. O foco são as relações, as pessoas e não os números. Estes são, mais uma vez, consequência da realização pessoal e profissional.

A diferença é fundamental, pois hoje fala-se muito em amar o trabalho como se fosse responsabilidade isolada do profissional e se ele não souber se motivar suficientemente, não tem o mindset “correto”.

“Trabalhe no que ama e nunca mais precisará trabalhar”. Colocação poderosa, mas que não é uma responsabilidade isolada do profissional. Trata-se de uma responsabilidade também da organização, que precisa fazer com que seus colaboradores sintam-se à vontade para arriscar, serem criativos e sairem do quadrado. O fantástico e o extraordinário requerem falhar (rápido), aprender e seguir em frente. Em um ambiente sem confiança, falhar não é uma opção.

As corporações precisam mudar, rápido. As empresas que já entenderam isso são as que mais inovam, mais desafiam o status quo, mais dão resultados, que estão liderando seus respectivos segmentos e, claro, são mais amadas por quem faz parte dos seus quadros.

Como diz Simon Sinekempresas assim permitem que as pessoas encontrem seus “porquês”.

No mundo competitivo em que vivemos, isso deixará em breve de ser vantagem competitiva. Em dez anos, será uma questão de sobrevivência.

Quando o foco são as metas, obtém-se resultados e o custo é em pessoas e material.

Quando o foco são as pessoas, obtém-se algo extraordinário: paixão pelo que se faz, realização pessoal e profissional, resultado como efeito colateral e o custo é apenas material.

Para saber mais, sugiro fortemente a obra do fantástico Simon Sinek, um dos maiores especialistas em liderança da atualidade. Você pode começar por estas apresentações: