Coaching Motivação Vida em Geral

Sente-se Corajoso? Hora de Um Reality Check

Você acordou corajoso e decidiu ler esse texto.

Chegamos a um ponto onde já temos massa crítica de informações aqui no blog para fazer algumas perguntas realmente importantes e decisivas (bem, pelo menos para algumas pessoas).

Uma checagem de realidade, talvez um wake-up call, deparando-se com as seguintes questões:

  • O que você tem feito com a sua vida?
  • Onde você tem chegado? Que resultados tem obtido?
  • Onde você quer chegar? Que resultados quer obter?
  • Que tipo de pessoa você tem sido em sua existência, até o momento? O que almeja ser?
  • Tem um plano? Está à deriva e não sabe o que fazer? Ou está sendo levado (e tudo bem)?

Você tem medo de fazer estas perguntas? Tem medo das respostas?

Já racionalizou na sua mente que você é de um jeito e não vai mudar?

Já racionalizou para os outros que todos devem aceitar você do jeito que é, porque nunca mudará?

Se você fez essas perguntas pra valer, em um momento de introspecção e deu um friozinho na barriga, continue.

Se você é indiferente a estas questões, por favor, não siga adiante, pois achará perda de tempo. Sugiro, como alternativa, ler esse texto aqui ou esse outro 🙂 Talvez mude de ideia!

Decidiu continuar?

Vamos lá!

Comecemos tornando o texto mais agradável, ao definir um conceito essencial.

Você deve estar cansado de ouvir os termos “zona de conforto” e “zona de esforço”. É, eu sei. Eu entendo você. Tem coisas que são tão repetidas que perdem o sentido. Eu estou cansado de usá-los também… apesar disso não diminuir a importância deles.

Tratam-se de termos que representam ideias complexas. Por isso é tão fácil e cômodo tirá-los da manga.

O que podemos usar no lugar deles?

Vejamos:

Zona de conforto é um estado, status, uma posição, um conjunto de pensamentos, sentimentos e ações (ou ausência delas), permitindo ao ser existir sem ameaças, riscos, nervosismo, ansiedade ou insegurança. É uma zona repleta de, digamos, “tranquilidade” e de mínimo sofrimento ou dor.

É um lugar onde temos desempenho mediano ou insuficiente, relacionamentos interpessoais mornos ou frios e pouca troca. Aceitar conhecimento, trocar sentimentos e reconsiderar quaisquer coisas em nossas vidas leva ao aprendizado que, em mais ou menos intensidade, causa dor ou sofrimento (e, nesse estado, dor e sofrimento são evitados a qualquer custo).

Podemos até afirmar também que é uma zona onde existe pouco ou nenhum desejo, pois no fim das contas, desejo provoca ação, movimento, mudança e… não queremos sofrer nem gerar ansiedade, não é mesmo?

Isso tem alguns efeitos colaterais.

Lá, não há evolução. Não há crescimento e não há aprendizado. É um lugar estático e sem mudanças. Como afirmei no texto sobre valores, creio que, em alguns casos, há a “involução” do ser, afinal, tudo na vida que não é exercitado, atrofia.

Explicar a zona de esforço agora é fácil: ela é a antítese da zona de conforto.

Nela, há um esforço pela evolução. De fato, só há evolução na zona de esforço. Há um conjunto de pensamentos, sentimentos e (principalmente) ações no intuito de aprender e evoluir. Há mais troca intelectual e sentimental com quem nos cerca. Provoca mudança.

Consequência?

Dor e sofrimento.

Se fosse fácil… (complete a frase).

Existe a consciência de que aprender, mudar e evoluir causam dor e sofrimento, mesmo que você ressignifique isso de uma forma ou de outra, mais cedo ou mais tarde.

Diante disso, o que são sinônimos para as zonas de conforto e esforço?

Particularmente, gosto de associar a zona de conforto a uma estagnação.  Também me identifico com o existencialismo e, ao adicionar o conceito de que nossas ações são resultados dos nossos sentimentos e pensamentos que as precedem, por que não chamar esse lugar de estagnação existencial?

E como fica a zona de esforço?

Aplicando o mesmo princípio e adicionando uma carga de positividade, acho adequado o termo evolução existencial. Existencial porque a evolução pode ocorrer em diversos aspectos da vida e usar o termo “existencial” abstrai isso para as ações que você de fato desempenha na direção de evoluir, em quaisquer áreas.

Importante registrar que existe uma consideração “filosófica” a ser feita: o resultado das nossas ações, com a intenção de evoluir, pode ser negativo ou a involução (o tiro sair pela culatra), assim como a estagnação pode levar à “atrofia”.

Em prol da simplicidade, vamos considerar que toda ação tem uma intenção positiva e que, mesmo a involução, causada com a intenção de evoluir, é um aprendizado.

Por falar nisso, lembre-se: exercitar a evolução existencial não é garantia de que nada errado acontecerá ou que fracassos não ocorrerão. Significa que eles são aprendizados e insumos para o sucesso. Já na atuação como estagnação existencial, eles são revezes muitas vezes intransponíveis. São barreiras.

Que arrodeio da bexiga Romulo! O que isso tem a ver com as perguntas tão profundas do início?

TUDO.

Para muitos, as perguntas são balela. Destes, tem gente que age assim no sentido de evitar o confrontamento (chame de manter o status quo ou… de estagnação existencial mesmo).

Tem pessoas também que acham mesmo que é balela (suspeito que pela falta de conhecimento ou pela fase em que a pessoa se encontra na vida – veja esse texto e entenderá).

Já o restante, ou está na estagnação existencial por algum outro motivo ou na evolução existencial, conscientemente ou não.

Aliás, as perguntas são um excelente “reality check”. Chame de teste, se preferir. Quem as faz com sinceridade e pensa a respeito descobre que ou está em uma zona ou em outra e termina por acordar. Despertar.

A questão é: o que você fará a partir daí?

“Ignorância é uma benção.”
Thomas Gray

… E você acaba de perdê-la.

Incomoda né? Borboletas no estômago e nem é amor.

Pois é. Estamos juntos nessa busca. Estamos ou estaremos juntos nas ações resultantes!

Sou da opinião de que a base da evolução existencial é o aprendizado, a troca de pensamentos e sentimentos entre as pessoas, sempre respeitando as opiniões de cada um (que levam ao aprendizado).

Tenha em mente a necessidade de uma argumentação saudável que nem sempre se materializa. Mas ter isso em mente nos ajuda a parar, respirar e voltar ao congruente.

A melhor parte? A sua escolha exerce papel imprescindível. A partir do momento em que torna consciente tudo que foi falado até aqui, você pode escolher com quem convive (e troca), o que estuda e aprende e até com o que mantém contato frequente.

Você pode se deixar influenciar pelo meio, pelas redes sociais, pelas pessoas e comportamentos e tudo serão escolhas suas. Lembre-se, inação é uma escolha.

E, assim como tudo na vida, o que não é usado, decai. O que não é exercitado, murcha. O que não é estimulado, definha.

Com aprender, é a mesma coisa.

Usemos uma história (quase metáfora) para exemplificar.

Eu aprendi com minhas referências familiares que médico bom é médico experiente e que, segundo a consenso então vigente, são os de maior idade.

O tempo foi passando e eu desaprendi essa visão.

Terminei descobrindo que nem sempre é adequado afirmar isso. No fundo, médico bom é médico que se atualiza. Que não parou de aprender. Não parou de evoluir.

A partir daí, percebi que essa questão está presente em todas as profissões. Em algumas mais, em outras menos, dependendo da velocidade com a qual o conhecimento daquela área evolui.

Sou originalmente da área de tecnologia, que tem a condição da evolução rápida como uma parte elementar. Em outras áreas, como na saúde e na legal / jurídica, na média, a tradição fala mais alto.

“A ignorância é a mãe das tradições.”
Gustave Gounouilhou

Perceba como, nessas áreas, há um embate entre os tradicionalistas e os evolucionistas (para não usar um termo mais comum, que pode ser inadequado em algumas situações, como “entre o velho e o novo”).

Podemos até pensar que a tradição é um mecanismo que surgiu naturalmente para proteger o próprio ser humano, à medida que ele envelhece. Com a idade, tudo fica mais desafiante (inclusive aprender) e exercitar hábitos fica mais fácil do que lidar com coisas novas.

Entretanto, se o indivíduo cultivou ao longo do tempo o “hábito” de aprender, ele consegue se manter em evolução e até com mais saúde mental.

Será que você já conseguiu traçar um paralelo entre a questão acima, a estagnação e a evolução existencial?

Sim, estão relacionados.

Se a permanência em uma ou outra zona é consciente ou não…

… Não desejar aprender, manter o status quo e não aceitar a mudança é um forte indicativo de estagnação existencial. Típico comportamento do mindset fixo, explorado por Carol Dweck no seu livro “Mindset“, ou também chamado de mindset defensivo, por Chris Argyris.

… Por outro lado, ter o aprendizado como meta e hábito, questionar o status quo e aceitar a mudança (mesmo que isso inclua atritos, dor e sofrimento), é uma grande evidência da presença na zona de evolução existencial. Comportamento que aponta na direção de um mindset de crescimento (Carol Dweck) ou produtivo (Chris Argyris).

Agora, exploremos as evidências da zona de estagnação existencial no dia-a-dia.

Você convive com pessoas que se comportam como as donas da verdade. Elas apontam as mais diversas razões, como evidências científicas, reportagens, mídia, redes sociais e opiniões alheias para se comportarem de forma irredutível.

O ponto aqui é a resistência à mudança e a característica natural que a acompanha, de não aceitar muito bem a opinião alheia ou sequer deixar o interlocutor falar.

Reage ao que é dito pelo seu interlocutor com argumentos que tentam descredenciá-lo de imediato. O nível de argumentação é baixo e frequentemente está associado a provar que é melhor ou sabe mais.

Uma variação frequente desse comportamento é o ataque mais direto a ideias e pessoas, sem conhecer o assunto (o que caracteriza o preconceito) e usando de adjetivos pejorativos e que tentam desqualificar o tema pela identidade, como “isso/você é” “chato”, “ridículo”, “idiota”, dentre outros.

É aquele indivíduo que não conhece do que está falando mas, não obstante, condena, recusa ou rebaixa.

Outra reação é o afastamento verbal (fechar-se verbalmente), literalmente pedindo ao seu interlocutor para que não aborde o tema, alegando que “não quer saber”, “não interessa” e outros argumentos dessa natureza, frequentemente acompanhados de uma emoção ou exaltação.

Em outras palavras, o fato de alguém estudar bastante sobre algo, e até viver dentro uma determinada área de conhecimento, não lhe dá razão para negar o direito do próximo de se expressar.

Registre-se: não devemos confundir uma presença na estagnação existencial com um posicionamento ou opinião sólida. A diferença é fácil de detectar: uma opinião fundamentada é seguida de argumentação de qualidade. Ela não “ataca” pessoas. Se ela não existe e é substituída por adjetivos de rejeição, é um bom indicativo de mindset fixo.

A própria evolução humana (temos milhões de anos para comprovar) é o maior exemplo de que tudo está em constante mudança e nada é eternamente estático. Assumir uma postura estática, irremediável ou intransigente é um dos maiores sinais de estagnação existencial.

Há também a questão do ego.

Egos inflados estão intimamente ligados à estagnação existencial, à intransigência, ao mindset fixo e, em maior ou menor grau, à ausência de humildade, sendo a origem diversa, do sistema ao ambiente. Devo mencionar que muitas pessoas acham que grandes egos estão associados a um comportamento arrogante. Pode acontecer, mas não é a regra.

Por fim, entenda que uma pessoa (incluindo você e eu) pode exibir algum comportamento acima apenas para uma área e, não necessariamente, de forma global. Ainda, pode se comportar na zona de estagnação ou evolução em sua vida pessoal e ter um comportamento oposto na vida profissional (e vice-versa).

Com todo esse conhecimento em mãos, pergunte: conduzo-me, em relação a algum assunto, área, profissionalmente, pessoalmente ou de forma global, exibindo um comportamento ou ações compatíveis com o descrito acima?

Em caso positivo, você conhece seus valores e propósito, sabe que existem coisas que temos que fazer que não estão sempre alinhadas com eles e decidiu conscientemente se manter na estagnação existencial?

Se sim, devemos respeitar a sua decisão.

Não? Você acha que o seu mindset fixo frente a algo é involuntário ou inconsciente e o seu comportamento de estagnação é apenas consequência de você estar sendo levado pelo rio da vida?

Se este é o caso, há muito o que fazer e você tem motivos para ficar especialmente feliz! Acredito que você precisa iniciar uma jornada de autoconhecimento que ajudará a encontrar todas as respostas às questões do início desse texto.

Farei abaixo um roteiro com duas opções: um completo (e mais longo) e outro menor. O completo consiste em todos os textos recomendados, incluindo conceitos importantes para contextualizar e, o menor em verde, que são efetivamente os exercícios de descoberta e autoconhecimento.

Eu sei, talvez seja tanto conteúdo quanto um livro… Espero que, um dia, de fato seja!

Primeiro, alguns conceitos importantes:

  1. Use a metáfora desse texto de ficção (Patrícia) para iniciar a contextualização;
  2. Aprenda (se ainda não sabe!) a importância de sermos positivos;
  3. Entenda como errar e fracassar são mecanismos naturais de evolução. O ser humano evoluiu milhões de anos dessa forma;
  4. Perceba como aprender com outras pessoas, como a troca e a reconsideração de opiniões outrora imóveis, pode ser um renascimento;
  5. Descubra a importância do protagonismo;
  6. Vivemos uma dicotomia de certo vs. errado enquanto o universo é muito mais do que isso;
  7. Conheça o conceito de níveis neurológicos de aprendizado e talvez muitas situações em sua vida ficarão mais claras;
  8. Veja a importância da comunicação e de como somos responsáveis pelo entendimento do que comunicamos;
  9. O conceito de realidade socialmente aceito é ilusório e cada um de nós tem o seu próprio mapa de mundo. Isso tem influência direta em como nos relacionamos com o mundo que nos cerca;
  10. Existe muito menos malícia e maldade no mundo do que realmente somos levados a acreditar.

Em seguida, as ferramentas propriamente ditas:

  1. Como descobrimos os nossos valores?
  2. Como descobrimos o nosso propósito?
  3. Como lidar com a vida, nos colocando em situações onde somos levados a  tratar de coisas que não amamos ou não estão totalmente alinhadas com nossos valores ou propósito?

Não meu querido leitor, não estou de sacanagem.

Para alguns, deixei um enorme dever de casa!

Para outros, talvez uma pontada de curiosidade que levará a uma evolução.

Ainda, existem aqueles que acharão, mesmo depois do aviso, balela.

Tem também aqueles que não sabem como chegaram até aqui por causa da preguiça, quanto mais ler os demais textos e usar as ferramentas! O que importa é que chegou. Gratidão! 🙂

Não posso deixar de mencionar aqueles que já fizeram essa jornada e agora usufruem de uma existência mais coerente. Parabéns!

Se de alguma forma o que eu disse fez você pensar, eu cumpri minha missão. Se, como resultado desse conteúdo, você descobriu coisas importantes na sua vida ou, quem sabe, mudou-a para melhor… Nossa, estarei eu realizando um sonho e sendo ainda mais grato ao universo!

Boa sorte em sua jornada querido(a) leitor(a)!

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