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Estado: O Gestor das Nossas Experiências (*)

Vá em busca do seu passado e lembre-se das seguintes situações que você provavelmente já viveu:

Ao chegar em casa de uma balada, seus pais lhe dão uma “dura” porque está muito tarde. Você vai dormir chateado. Apesar de ter estudado e normalmente tirar notas altas, na prova do dia seguinte você se sai mal.

Alguém tranca você no trânsito. Instantaneamente, o sangue ferve. Você fica com raiva, mas não consegue fazer nada na hora (ainda bem) por causa do caos do próprio trânsito. Ao chegar no trabalho, trata as pessoas rispidamente ou, pelo menos por algum tempo, sem a paciência e o carinho costumeiros.

Você tem uma briga com seu parceiro. Poucos minutos depois, seu(ua) filho(a) vem à sala pedir para dormir um pouco mais tarde jogando videogame, afinal, é noite de sexta. Você não reage bem e nega o pedido sumariamente.

Diante de um dia extremamente desafiante no trabalho, você termina sendo obrigado(a) a levar parte das suas tarefas para realizar em casa, pois tem uma reunião importante no dia seguinte. Ao retornar à noite, sofre uma tentativa de assalto em um local conhecidamente perigoso… Milagrosamente, você consegue escapar ileso(a) e sem perder nada. Ao tomar banho logo após chegar, percebe que ainda está tremendo e nervoso(a). Quando tenta focar nas tarefas a serem realizadas, enfrenta uma séria dificuldade para se concentrar e não consegue trabalhar.

Você vai à academia e coloca nos fones de ouvido uma música que considera empolgante. Quarenta minutos depois, deixa o treino com a impressão de que ele foi melhor da semana.

Nas situações relatadas, temos vários exemplos de estados emocionais distintos e que influenciaram o seu comportamento ainda por um bom tempo, algo que ocorre conosco diariamente e não usamos ao nosso favor.

Mas podemos e devemos.

Existem diversas formas de mudar o nosso estado ao nosso favor, para algo possibilitador, ao contrário de limitante. Não existe outra opção. As emoções influenciam o seu estado e o seu comportamento diretamente por até quinze minutos depois do evento gerador ou indiretamente por horas e dias, dependendo do impacto.

Você já viu uma a dança de guerra Maori? Ela é conhecida como Haka, e é realizada tanto para dar boas-vindas como antes de um enfrentamento. Trata-se de uma tradição mundialmente conhecida porque foi adotada pela seleção de Rúgbi da Nova Zelândia (All-Blacks) há mais de um século.

Assista a uma das apresentações (que você pode até achar estranha) e me responda: você acredita que o estado dos jogadores é empoderado? Será que o entusiasmo gerado com a dança ajuda ou atrapalha na partida?

O pulo do gato? Evite estados limitantes e incentive estados possibilitadores (ser positivo é fundamentalmente caminhar nessa direção).

Mas como?

Existe um conceito de três elementos que governam o nosso estado permitindo alterá-lo, a nossa capacidade de sermos positivos ou negativos e eventualmente chegarmos ao sucesso. Estou falando da nossa linguagem, da nossa representação interna e da nossa postura: como nos comunicamos externamente, como nos sentimos e “falamos” conosco e como nos “apresentamos para o mundo”.

Todos são igualmente importantes e o mais legal é que eles se influenciam. Um deles pode elevar os demais a um estado positivo assim como pode derrubar você. Acredito tão profundamente nesse conceito, nesses três pilares, que os tatuei no meu braço direito para sempre me lembrar de mantê-los adequadamente compatíveis com o que espero alcançar: a tríade do sucesso ou tríade da mente.

Já vimos amplamente a importância da linguagem positiva. E a representação interna? Ela pode ser reconhecida como a nossa linguagem interna. É aquela voz misturada com um pouco de emoção que sentimos ao olhar no espelho e afirmarmos ser ou não capazes de realizar algo. Às vezes não chega a ser uma voz; apenas uma sensação limitante ou possibilitadora associada a um pensamento.

É a impressão de uma coisa diante de nós ser possível ou não, ser feliz ou triste, ser calma ou agitada… e carregar uma emoção associada a uma intenção de reagir de acordo. É o estado empoderado ou limitante que surge de dentro da gente, transborda para nosso olhar, para nossas feições e… para a nossa postura!

Então vejamos. De acordo com um estudo (Carney, Cuddy, & Yap, 2010) liderado pela psicóloga social Amy Cuddy, que ficou mundialmente conhecida pela palestra no TED (Cuddy, 2012) sobre posicionamento corporal empoderado, a forma como você se porta tem profundas implicações em como você se sente e como é visto pela sociedade.

O seu estudo foi duramente criticado (Elsesser, 2018) durante anos (imagino que por causa do seu carisma e sucesso), fazendo com que ela retornasse com argumentos mais contundentes ainda em 2018 (Fosse, Cuddy, & Schultz, 2018), reforçando as suas conclusões e derrubando as objeções.

Tem muita gente que torce o nariz para essas colocações, apesar das incontáveis comprovações científicas. Além do trabalho de Amy Cuddy, estudos até mais antigos comprovaram que fazer expressões de sorriso causam uma tendência à felicidade (Strack, Martin, & Stepper, 1998) e que o oposto também ocorre com expressões negativas (Dimberg, Thunberg, & Grunedal, 2002). Ainda incrédulo? O simples ato de balançar a cabeça afirmativamente ou negativamente influencia a aceitação de que se ouve e o seu estado (Wells & Petty, 1980)!

Comece essa mudança por você. Mude a sua representação interna, sua postura e sua linguagem para algo que lhe ajude! Inicie aos poucos, evitando frases pessimistas, conteúdo negativo e pessoas como eu fui, na medida do possível.

Mas Romulo, não há garantia alguma de que fazer isso me trará resultados bons ou que evitará o fracasso! Não farei esse papelão…

Uma coisa eu garanto a você: não importa o resultado, ser positivo e cultivar um estado possibilitador lhe permitirá enxergar os sucessos com gratidão e os fracassos como aprendizado. Não importa o que aconteça, você se sentirá melhor. Sentindo-se melhor, certamente seus resultados serão eventualmente influenciados. Você estará desenvolvendo a habilidade de reagir melhor aos fatos da vida!

Em breve, postarei um texto sobre o mar de emoções que navegamos ou, em outras palavras… sobre inteligência emocional. Um abraço!


(*) Esse texto é parte do livro que lançarei em 2019!

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