Pensamentos Com Vida Própria

Punição e Recompensa

Talvez com menos de dois anos você ouviu: “Não! Não! Isso é feio!” Ou, quem sabe… “Bom menino! Toma um chocolate!”

Estou falando do ato de motivar e até persuadir. Tudo baseado em punições e recompensas.

Há milênios que a sociedade funciona assim: comportamentos considerados bons são recompensados. Comportamentos considerados ruins, punidos.

Ao condicionar pessoas a se comportarem desse jeito, geramos toda uma série de julgamentos sobre o que precisa ser recompensado e o que precisa ser punido.

Como não existem duas pessoas iguais na face da terra, começamos aí a instigar o conflito.

E olha que isso funciona internamente também. Quando fazemos algo que consideramos bom, recompensamo-nos. Quando fazemos algo que consideramos ruim, errado ou afim, punimo-nos com frequência.

Essa prática vai ao canto mais profundo do nosso ser.

Muitas vezes, as recompensas e as punições são inconscientes. Outras, nós queremos punir quem erra conosco.

Em quantas ocasiões você desejou dor ou sofrimento para alguém que supostamente fez algum mal a você?

Tomo o cuidado para colocar a palavra “supostamente” na frase anterior porque “mal” é subjetivo e depende da perspectiva e das experiências anteriores de cada um.

Alguém magoa você e… instintivamente, falamos coisas ou agimos no sentido de punir esse alguém.

Temos raiva e justificamos essa raiva por uma ação externa, do alguém.

No fundo, nós mesmos somos incompetentes emocionais que reagimos com raiva a um significado atribuído por nós baseado em quem somos.

Ainda, despejamos essa raiva em quem acreditamos ser a fonte dela: canalizada no intuito de machucar (também).

Que protagonismo é esse que terceiriza até as emoções?

Eu comecei a pensar bastante sobre este assunto no ano passado ao escrever um livro e, em especial, ao exercitar um pouco da retórica em torno do vitimismo.

Isso mesmo, do vitimismo.

Uma das características de quem se faz de vítima é traduzido em um esquema desses.

O vitimista acredita que, ao sofrer, ao se impor penitências, estará guardando em uma espécie de poupança e poderá resgatar juros no futuro em forma de recompensa.

Lidamos com o trabalho assim.

Lidamos com o sucesso assim.

Será que ao achar que preciso sofrer, ou que o caminho para o sucesso é repleto de dores, estou me colocando no lugar de vítima ao concluir que sou merecedor de sucesso porque sofri?

Talvez.

Talvez mesmo!

Quem disse que o mundo é justo? Aceite.

E com o estresse?

Imagine a situação hipotética (mas nem tanto) de uma equipe estressada. Se você não estiver estressado também será cobrado e até julgado!

“Nossa, fulano tá tranquilo demais… veja como não é comprometido!”

É claro que aí temos uma dose de rapport de comportamento… mas boa parte da sociedade acredita que para ter sucesso é necessário sofrer.

Até religiões acreditam nisso… e eu não estou pensando em apenas uma… rapidamente me ocorrem pelo menos umas quatro onde a salvação ou a iluminação (recompensas) são obtidas através da penitência.

papai noel? Coelho da páscoa? Você foi um bom menino? E seu filho(a)? Tem recompensado ele quando faz o que você quer (ou punido quando não faz), como seus pais fizeram com você? Nem vou entrar em detalhes.

E na política?

Um cara é eleito e, se formos partidários, idolatramos ele. Se formos contra, chegamos a querer o seu mal.

Pensamentos que levam a sentimentos que levam a opiniões e que levam a ações.

Agora que falei de profissão, vida pessoal, justiça, crenças, religião e política, cada um de vocês está pensando que estou certo ou errado ou as duas coisas, dependendo do caso.

Vá, confesse.

Foi, misturei no texto algumas pitadas polêmicas para provocá-lo.

Você leu e, ou já concordou ou já discordou e automaticamente colocou o conceito de punição e recompensa, que acabei de explicar, em uma caixinha na sua mente com uma etiqueta “certo” ou “errado”.

A polemizada que dei pode até ter influenciando a sua opinião de me achar “certo” ou não.

Se você colocou a etiqueta “certo”, provavelmente vai me seguir no instagram (@blogderomulo), vai ler mais algum texto do meu blog ou até entrar em contato para dizer que gostou do que leu.

Na sua linguagem interna dirá algo como “que cara inteligente” ou “ele deve ser legal”.

Me associará a algo positivo.

Se você etiquetou como “errado”… bem, se seguia nas redes sociais, pode até potencialmente pensar em deixar de seguir.

Na sua linguagem interna talvez diga algo como “afff que ridículo”, “esse viajou” ou “que cara chato” e…

E, quem sabe, terminarei associado a algo negativo.

Mais julgamentos e… adivinhe! Mais recompensa ou punição baseada no que acha certo ou errado.

Dica: podemos concordar ou discordar sem fazer amigos, inimigos ou agredir. Aceitar que pessoas são diferentes e tá tudo bem.

Mas eu sou só um cara que escreveu um texto em um blog.

Pense em como as pessoas agem assim o tempo todo.

Você acha que esse texto tem fim?

Claro que tem.

Mas talvez não o que espera.

Acabou. Agora, reflita.

Se quiser.

Se não quiser, tá tudo certo também.

um comentário

  1. Penso que é uma forma válida para alguns casos e ineficiente em outros. Porém, se é certo ou errado. Seu jeito dirá!

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