Pensamentos Com Vida Própria

Ensaio Sobre a Mecânica das Coisas

Divagar. Devagar.

Ajustes.

Passos.

Estradas, caminhadas, jornadas.

Destinos.

Metas e objetivos.

Conceitos badalados, sonhos inacabados, vontades latentes.

Energias que andam como pessoas.

Pessoas?

Sim, pessoas em comunhão.

Comunhão, diga-se de passagem, inadvertida, na maioria das vezes.

Como seres sociais, essa comunhão é inevitável.

Inadvertida, porque a troca ocorre de todo jeito. Querendo… ou não.

Aliás, só tem um jeito de querer e conseguir: isolando-se fisicamente. Aliás, acho que nem assim.

Talvez tenha escolhido uma palavra inadequada, afinal.

Comunhão denota harmonia e a troca pode ocorrer sem harmonia.

O ser humano troca até com uma pedra.

Quem dirá com a fauna e a flora.

Vai me dizer que nunca conversou com algo… inanimado?

Quem dera com essa voz aí dentro de você.

Não tem voz feito eu?

Tem imagens.

Não tem imagens?

Tem borboletas no estômago… tem frio na barriga, tem falta de ar… tem calor, frio, tem arrepio.

Mas tem.

Troca.

Energia circulando.

Vou parar de divagar. Paro de deixar o pensamento e os sentimentos fluírem para os meus dedos aqui e agora.

Trato de ser objetivo para você que, a essa altura, está se perguntando o que danado está lendo.

Você está lendo um ensaio… talvez uma crônica sobre a mecânica das coisas.

Sobre o ir, vir e a energia que se transforma em massa, que se transforma em energia e vira você.

Vira eu.

Vira ação da gente nesse mundo feito de gente e coisas.

Ainda não tá claro o suficiente, né?

Bem, você nasceu.

De uma mãe e de um pai que doaram massa e energia para a sua existência.

Foi um período de crescimento.

Foi um período de total falta de controle. De pertinência e, ao mesmo tempo, de comunhão inadvertida, como disse.

Você foi formado, surgiu e veio ao mundo.

Continuou crescendo, alimentado por coisas e energias.

O sorriso (ou talvez uma emoção menos desejável da sua mãe ou pai) começou a ensinar sobre o mundo e sobre as trocas de energias.

Alguns chamam de campos energéticos… ou de emoções e sentimentos… de empatia… e até de inteligência emocional.

Um fluxo energético que permeia tudo, vai, vem, entra, sai… Destrói, constrói, refaz e rejeita. Renasce e ama. Afasta, odeia, cativa e abraça.

Quando tomamos ciência dessa mecânica, começamos a querer exercer controle sobre ela.

Somos cobrados a exercer esse controle. Somos controlados, fruto do controle exercido de outras pessoas.

Ciclos.

E aí, chega um momento que geramos um novo vaso para comportar mais energia. Damos o início a um novo processo vital que deságua em alguém.

E tudo se repete. Mais ou menos.

Podem ser energias semelhantes ou totalmente distintas, mas únicas.

Uma nova potencial forma de vida capaz de interpretar tudo isso de um jeito totalmente diferente de mim, de você e chamar o que há…

De vida.

Ou, quem sabe, chamar de existência. De penalidade, recompensa ou gratidão.

Capaz de exercer mais controle ou…

Quem sabe, como ocorre muito raramente, de compreender que participamos de uma dança transformadora.

Que contém o infinito e que esse infinito pode dar razão ao caos, a expansão incontestável de tudo e de todos, que tem a capacidade de ajustar-se ao incompreensível e fazer valer o impossível.

O impossível de antes que vira lugar comum, criando um degrau para outro impossível, algo maior.

Ajustes.

E a energia continua fluindo.

Devagar a divagar.

Mais sonhos materializados ou não, mais existências.

Mais caos contido na compreensão (ou incompreensão) individual ou social.

Comunhão, não disse?

É impossível não existir. É impossível resistir.

Agora, o que se faz dessa existência, dessa energia e dessa responsabilidade… É com você.

Ah, a sua capacidade de se adaptar, a sua cognição, inteligência e corpo são, ao mesmo tempo, a resultado e a razão de tudo o que eu disse.

Será que um dia teremos uma equação para definir essa mecânica?

Será que… um dia, teremos a teoria de tudo? Do ser, do existir, do pensar e do sentir?

Será que… diante de uma compreensão geral de tamanha beleza, fará qualquer diferença ou terá qualquer significado?

Eu sei que, para sermos, pensarmos, sentirmos e existirmos, equações e teorias são irrelevantes.

Quer um exemplo?

Darei mais de um.

Paz. Amar. Bem querer. Aquela vontade irresistível de esmagar alguém em um abraço.

Dane-se a mecânica, não é mesmo? Nem sei porque chame o texto de mecânica das coisas.

Por menos explicações e mais vida.

Não há liberdade maior do que aceitar que não temos explicações para tudo e que tá tudo bem.

Voltemos à pauta.

Já que trocamos energias com tudo e todos, não tá na hora de exercer melhores escolhas?

Não tá na hora de criar escolhas?

Peço desculpas, divaguei até agora. Mas me senti MUITO bem por isso.

E você?


PS: se o que leu aí em cima fez algum sentido pra você, eu adorarei saber.

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.