Resenhas de Livros

Resenha: Fodeu Geral – Um Livro Sobre Esperança?

Posso resumir o livro em uma palavra, diante da leitura do anterior, “A Sutil Arte de Ligar o Foda-se”: uma grata surpresa.

Não vou me preocupar em avisar sobre spoilers… nada do que eu fale abaixo, exceto se colocar aqui algumas passagens do livro (o que não farei), descreve com precisão as ideias e a perspectiva do autor ao ponto de comprometer a leitura.

Para quem tem acompanhado autores como Yuval Noah Harari, Steven Pinker, Nassim Taleb e já leu “O Erro de Descartes“, “Fodeu Geral” soa incrivelmente familiar, exceto talvez pelos palavrões. Mas neste caso, o resultado é outro.

Corro o risco de ser talvez favorável diante do meu conforto cognitivo.

Sugiro a leitura da resenha que fiz  de “A Sutil Arte de Ligar o Foda-se” também, para entender os meus argumentos sobre a linguagem.

Dito isso, finalmente a estratégia de comunicação que Mark Manson usou no primeiro – e agora usa no segundo – faz todo o sentido: uma abordagem magnífica para tratar de temas bastante espinhosos.

Mas o autor não se contenta com a contemporaneidade das percepções atuais.

Ele vai buscar fundamentação nos clássicos, no estoicismo e faz uma argumentação apoiada em Nietzsche, Kant, Durkheim e Freud, para citar alguns, conseguindo passar uma mensagem de esperança combatendo-a, através dos atos incondicionais, em detrimento de conceitos de barganha emocional ou punição e recompensa.

Ele não só fez o dever de casa como traz conceitos bem interessantes.

Inception ou não, é uma leitura genial, como fagulha para o pensar. É como jogar gasolina numa fogueira, mesmo após colocar a fórmula da humanidade de Kant em evidência… Pelo menos para mim, isso trouxe ainda mais esperança em nós.

A minha esperança, pelo menos, vem da certeza de que nada sabemos. E nossa… Isso abre espaço para muita coisa… Inclusive a própria esperança.

Como suspeitava, a linguagem usada no livro “A Sutil Arte de Ligar o Foda-se” é em boa medida uma estratégia de marketing.

Enquanto naquele livro a comunicação mais agressiva soa algumas vezes exagerada, há sinais em “Fodeu Geral” de que, de fato, trata-se do caso… Pois o ritmo dos palavrões e frases de impacto vai diminuindo ao longo do livro e praticamente desaparece até o fim, com poucas exceções.

Entretanto, o efeito é totalmente distinto: aqui, não só adequado como dá um contexto expetacular aos argumentos indigestos e temas espinhosos tratados.

Ao abordar Kant e como a consciência nos dá a capacidade de organizar o caos que nos envolve, faz uma ligação extraordinária entre esse tema e a habilidade de criarmos propósitos para nós mesmos. Mas o faz de forma ácida, sarcástica e dá algumas tapas na cara vez ou outra (ok, as tapas na cara são frequentes), reforçando um conceito de religião bastante contundente baseado nas palavras prévias de Yuval Noah Harari (Sapiens).

Na boa, faz tempo que não leio um livro tão instigante, tão pólvora para fazer a cachola remoer-se.

“Fodeu Geral” é um livro que exigiu coragem para ser escrito e, sejamos francos, exigirá coragem para muitos lerem e chegarem ao final.

Sem dar mais spoilers… ao chegar no final, pode ser que você tenha curiosidade de explorar mais o tema das últimas páginas. Neste caso, sugiro ver esse vídeo. Ou este.

Se estiver empolgado, assista esse também (que tem legendas em português).


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