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A Escravidão do Establishment

O conceito de escravidão é bem claro para todos.

Se eu mencionar “escravidão moderna”, você provavelmente pensará em indivíduos trancados em quartos costurando, alguns tipos específicos de trabalhadores rurais ou gente trabalhando na linha de montagem de componentes eletrônicos em algum lugar remoto do oriente.

De fato, estes são estereótipos comuns e eventualmente noticiados. Existem muitos outros.

O que provavelmente não imagina é que talvez você seja um escravo. Meu ponto adiante é a ilusão da escolha e suas consequências.

Tudo começou quando você tinha mais ou menos de 2 a 3 anos, momento de onde consegue colher suas primeiras memórias.

Momento em que seus pais lhe colocaram na escola. Talvez com medo, você entrou naquele ambiente estranho, onde provavelmente teve contato com dezenas de crianças desconhecidas e em situação semelhante.

Você aprendeu logo cedo que a cada toque do sinal deveria desenvolver uma atividade, como entrar na aula, sair para o lanche ou recreio, retornar, ir para casa.

Você também aprendeu com um professor o que era certo e o que era errado, baseado em uma cartilha manifestada como livro didático.

O codex da sua vida, por pelo menos mais 10 anos… quem sabe até uns 23.

Manifestar-se, apenas para “tirar dúvidas”, nunca contestar. Decore!

O codex da conformidade.

A transição para o mercado de trabalho ocorre mais ou menos entre os 18 e 25 anos.

É quando acha familiar e reconhece os mesmos toques que aprendeu na escola. É quando você começa a perceber que do estágio ao profissionalismo, passou a vida até aquele momento sendo adestrado e preparado para um mercado de trabalho que precisa de conformidade também…

Algumas vezes os toques são substituídos por uma maquininha que faz um barulho engraçado, onde aparece a sua foto e você é obrigado a usar às 8h, 12h, 14h e 18h.

Apertar parafusos, carregar sacos, bater pregos, girar embalagens, costurar peças de roupa, colher vegetais, ordenhar, apertar…

Vender, cozinhar, programar, calcular, copiar, desenhar, apresentar…

Apenas trabalhe, não pense.

Quando recebe o primeiro salário, ele desaparece em dívidas.

Isso gera uma obrigação de seguir em frente.

“Nossa, o dinheiro não deu! Se eu trabalhar mais, receberei mais e poderei mais.”

“Se esforce! Dê o sangue! Vista a camisa! Supere-se! Corra atrás da sua felicidade!” Você ouve.

Ao chegar em casa, abraça a esposa ou marido, beijo nos filhos, paga as contas, janta, uma novela e cama.

Eu serei feliz se juntar dinheiro suficiente para a prestação daquela casa, daquele carro, comprar aquela bolsa, aquela roupa, aquela balada…”

Agora repita.

Repita até completar uns 2 anos, quando tirará férias. Depois delas, repita sem fim, porque a vida…

É isso mesmo.

Este sistema funcionou por mais de 100 anos e vem funcionando, mas está a cada dia perdendo em eficiência.

Escravo de você mesmo? Escravo do sistema? Escravo do status quo, do establishmentPressão, assédio, mais esforço pra compensar… Até…

Até descompensar.

Adoecer, separar-se, divórcio, depressão, ano sabático, nova vida (você pensa). Pensar? Hummm…

“Mas meu médico me deu essa receita de anti-depressivos, remédios para pressão, colesterol, dormir, gastrite, importência… está tudo bem, posso seguir em frente.”

Isso… Você está “medicado”.

Tudo volta a ser como era antes.

Me pergunto, diante de um sistema de educação de centenas de anos, feito com o objetivo de padronizar comportamentos para trabalhos uniformizados, onde fica a inovação e a criatividade, características da diversidade. Não me surpreende que a sociedade hoje tenha dificuldades para aceitar o discordante. Fomos educados a punir o não conforme, o “anormal” e o diferente (e ainda achamos estranho que haja preconceito).

Continue repetindo até…

Até o dia em que, quem sabe, uma centelha de pensamento sair da caixa, questionamentos, quiçá uma iluminação passar por sua mente.

Se isto de fato ocorrer, neste dia sua vida começará.

Você olhará para o passado e verá que nunca fez uma escolha sequer. Ilusão, foi encurralado.

Escolhido pelas metas alheias, convencido pelo poder aquisitivo (ou a obrigação gerada pela falta dele) a continuar repetindo.

Inspire profundamente.

Neste dia, o dia em que sua vida começou de verdade, você terá o seu primeiro pensamento livre. Sua primeira consideração a respeito da sua existência e, se tiver sorte (e coragem), sua primeira e verdadeira escolha.

Conhecer a si próprio e se enfrentar são grandes desafios.

Expire e relaxe.

A escolha de quebrar as correntes.

A escolha de transcender às limitações que lhe foram impostas de forma imperceptível.

Quebrar seu paradigma atual.

A escolha de evoluir e de buscar autoconhecimento.

Questionar, criar e ensinar.

Você será julgado.
Será medido.
Será testado.
Será punido.
Será desencorajado e até ameaçado.

Resista.

Você não é mais escravo.

Agora, você pode retribuir… E deve ajudar os outros a se libertarem.

É hora de cultivarmos a auto-consciência, o “nós”, o presente e o novo. É hora de despertar.

Só assim teremos um mundo melhor para nossos filhos, na esperança de educá-los longe dessa fábrica de escravos.

Continue respirando. Isso. Mais uma vez.

Agora aja.

“Não é que tenhamos pouco tempo, mas o perdemos… A vida que recebemos não é curta, mas nós a fazemos assim; não há vício no que nos é dado, mas usamos desperdiçadamente.”
Seneca

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