Ficção Pensamentos Com Vida Própria

Aline

Uma das minhas primeiras lembranças é aprendendo a andar de bicicleta.

Pedi logo para meu pai tirar as rodinhas.

Nossa, como caí! Mas sempre levantava. A materialização da evolução e do aprender.

Arranhada, dolorida e cada vez mais determinada.

Essa determinação nunca me deixou. Agradeço a ela pelas maiores conquistas que tive até o momento!

Quando sofri bullying na escola, minha determinação se transformou em beligerância e eu mesma resolvi a questão.

Na migração para a adolescência, meu verdadeiro eu começou a aparecer. Cores!

Este jeito único de ser, de se comportar, quebrando padrões, tabus e deixando os tradicionais à minha volta consternados.

Sim, cores! Cores para todos os lados… na roupa, na casa, na bolsa, na escrita, nas unhas e na vida!

Curioso como a determinação pode se transformar em diversas coisas…

Mais curioso ainda é como ela surge de uma motivação sincera de ser quem sou, a partir dos meus valores… Sem restrições.

Mas o fim da adolescência trouxe um desafio maior e as restrições chegaram.

Hora de colocar as cores numa gaveta. Colocar minhas escolhas de lado e ser conforme.

A universidade chegou como uma condição. Uma condição compulsória de atender à tradição familiar por Direito.

Eu tive muita autonomia em toda a minha vida, até este momento.

Fiz escolhas conscientes. Fiz besteiras também.

Mas nunca tive a experiência de ser obrigada a seguir um caminho que não escolhi.

Se você é de aquário, entenderá perfeitamente o que eu falo.

Foram cinco anos de esforço e adequação.

Aqueles cinco anos me mudaram como pessoa. Eu tentei ser outro alguém e… Consegui.

As cores se foram, a determinação diminuiu, a irreverência desapareceu, as roupas ficaram sem graça e as unhas cor de pele…

Mas não o suficiente para inibir a minha habilidade de dar o melhor de mim.

Fui doutrinada a um paradigma de perfeição estabelecido pelos outros.

Os argumentos conscientes e inconscientes foram muito convincentes.

Eu passei a acreditar naquele ideal de vida, ao ponto de me formar e continuar insistindo em um caminho que não era o meu…

Foram quase doze anos vivendo uma realidade que não era a minha.

Mas o despertar acontece e o conflito gera uma dor maior do que a dor do novo.

E quando isso ocorre, acordamos. Mudamos. Evoluímos.

Despertei para quem realmente sou, para minhas escolhas e ideais.

As cores voltaram! A irreverência! Saudades de vocês queridas!

As roupas mudaram, o corte de cabelo também!

A felicidade retornou para minha face de forma autêntica e irrefreável…

Entretanto, ir contra os paradigmas e os ideais de perfeição e conformidade dos outros gera conflito também. Desta vez externo.

Os argumentos contra a mudança proliferam muito rápido.

Cada pessoa que verbalize sua opinião de comportamento, espelhada em seus valores e em sua própria imagem.

Cada um que dê pitaco na minha minha vida e me diga o que devo fazer.

O julgamento acontece e por quem você menos espera.

Foi quando me mediram, testaram, cutucaram, ameaçaram e puniram.

“Você é louca!” Disseram.

“Você acabará com sua vida!”

“Você não fará isso!”

“Você está jogando seu futuro fora!” Disseram também.

Sou grata por tudo que me trouxe até aqui! Estas ações me transformaram, devolveram a minha amada determinação, reacenderam a minha motivação e jogaram luz sobre os meus valores e propósito!

Hoje, percebo que foi exatamente essa mudança que me devolveu minha escolha consciente.

A minha vida passou a ser minha novamente.

Meu comportamento voltou a ser natural e, com isso, a evolução voltou a ser constante. Vejo o sucesso acontecendo em pequenas coisas do dia-a-dia e no meu futuro.

A jornada passou a ser clara e… Deliciosa!

Felicidade? Ah, felicidade…

Agora ela permeia meus pensamentos, sentimentos e ações. Ela faz parte dos meus relacionamentos, das minhas palavras e feições.

Olho para o passado e para o caminho, com a certeza de que não poderia ser diferente.

Esse processo me trouxe maturidade e conteúdo para usar com as ferramentas que hoje tenho.

Ao despertar, percebi que a jornada pelo autoconhecimento é contínua.

Liberdade com determinação é uma fórmula explosiva!

Liberdade, afinal!

Como é bom voltar a andar de bicicleta… De preferência rosa e azul.


Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fatos, ocorrências, nomes, pessoas ou situações da vida cotidiana ou do passado é mera coincidência.

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